Entre a política real e as sondagens vai a distância das nossas aspirações

18671188_10213230229498627_5179381392489360025_n.jpg

Artigo de opinião de Susana Constante Pereira, candidata do Bloco à Junta de Freguesia de Lordelo do Ouro e Massarelos e à Assembleia Municipal

Porque se tornam generalizadamente um instrumento de pendor eleitoralista, as sondagens são uma variável potencialmente perigosa nos processos democráticos e, enquanto tal, nunca favoreceram os partidos pequenos. São usadas como peça de um jogo mais ou menos invisível no qual as pessoas se tornam peões, de forma mais ou menos inconsciente. Jogo esse em que interessa tudo menos a política concreta. Porque a política concreta não se traduz por amostras e não se resume a dados demográficos.

A política concreta diz respeito às aspirações que temos para as nossas vidas, aos passos reais que damos em direção à transformação da realidade que queremos e cremos ser possível, ao exercício quotidiano do nosso poder de escolha e à manifestação das opções que fazemos em prol de um presente e de um futuro que se pretende alternativa ao que nos é oferecido como inevitável.

Dizer que estatisticamente tudo aponta para que uma percentagem x de pessoas tenciona votar em alguém, significa dizer que dos n contactos que foram feitos por uma entidade paga para fazer um trabalho técnico, pessoas responderam nesse sentido, naquele dia, àquela hora, em função de questões colocadas de determinada forma. Mas o trabalho que a entidade desenvolve é apenas isso: um trabalho técnico. A metodologia aplicada pode aliás até ser questionada, mas não temos, em período eleitoral, tempo para o analisar com o devido cuidado, rigor e respeito, alimentando apenas, se o fizermos, o jogo da politiquice.

O que importa assimilarmos, num processo que se pretende democrático, é que as sondagens não são um trabalho político, nem muito menos são em si uma análise política. As sondagens são um exercício técnico que serve para inúmeras leituras de pendores diversos e que se escolhe usar à medida dos propósitos em que se opera. Os jornais podem usar as sondagens como parte integrante da trabalho que desenvolvem para informar as pessoas, ou para reforçar a cortina de ferro que dificulta o seu sentido crítico. Os partidos podem usar as sondagens para internamente orientarem estratégias, ou para esgrimirem argumentos populistas e eleitoralistas sobre a importância do voto ou do não voto em si, nos outros ou em geral. As pessoas podem usar as sondagens para irem à procura de mais informação e exercer a sua cidadania de maneira informada e politizada, ou podem aceitar a simplificação da realidade que lhes é proporcionada e juntar-se a uma das ‘claques’ que apoia – de fora e como espectadora -, quem está em jogo com uma suposta maior visibilidade ou um pretenso maior impacto, armadilha em que se traduz o gráfico que ilustra duas forças políticas a disputar resultados entre si.

No Porto, o impacto que este fenómeno tem nas eleições autárquicas de 2017 é demasiado sério para o ignorarmos e exige um esforço de democratização e transparência em torno do todo que é o processo eleitoral em curso. O momento que se vive este ano na cidade mantém um diálogo com o momento histórico que vivemos a nível nacional e é em si mesmo um momento histórico: ao fim de tantos (demasiados) anos, poderá haver uma esquerda socialista na Câmara Municipal do Porto. E não é pelo que dizem as sondagens ou não. É porque as pessoas farão a sua escolha no próximo domingo. E farão a sua escolha com base numa visão de cidade, num programa concreto que procura resgatar o espaço para uma governação da cidade que coloca no centro as pessoas.

No domingo eu voto no Bloco de Esquerda. E a partir de domingo acredito que passaremos a ter no Porto: Agora as Pessoas.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s